01 outubro, 2006

Lisboa no Memorial do Convento

«(...) cidade de tão poucas fontes de água para beber e onde os galegos não duvidam de ir encher os barris à fonte dos cavalos (...)» in Memorial do Convento, ed. RBA - Narrativa Actual, P. 15

«(...) a cidade é imunda , alcatifada de excrementos, de lixo, de cães lazarentos e gatos vadios, e lama mesmo quando não chove.» P. 24

«(...) da pocilga que é Lisboa» P. 24

«Lisboa cheira mal, cheira a podridão (...).» P.24

«Lisboa derramava-se para fora das muralhas. Via-se o castelo lá no alto, as torres das igrejas dominando a confusão das casas baixas, a massa indistinta das empenas» P. 36

Certo é que a Lisboa do século XXI muitas diferenças tem da do reinado de D. João V e ainda bem. Mas, no entanto, há dias em que Lisboa cheira mal. Hoje foi um deles, na zona da Expo, perto da marina, ao final do dia, andava no ar um cheiro nauseabundo.

Outro aspecto que me incomoda, eu que me farto de andar a pé, é que os animaizinhos de estimação deixem presentes pelos passeios da cidade, com o consentimento dos seus donos. E, infelizmente ainda temos algumas ruas feias, cinzentas da poluição e com lixo pelo chão, especialmente devido à falta de civismo de alguns cidadãos que deixam a reciclagem, não no respectivo contentor, mas ao lado. Ou, como já tenho visto, simplesmente mandam o lixo para o chão. Retiram o último cigarro do maço e, naturalmente, amarrotam e mandam para o chão, é a publicidade que recebem na rua ou o papel do gelado ... tudo para o chão, pois claro!

2 comentários:

totoia disse...

Há uma falta de civismo fora do normal. Tenho visto crianças a ralharem aos pais por mandarem papéis para o lixo.

Será que a próxima geração vai cuidar melhor do nosso ambiente?!

Sandra B. disse...

Se antigamente a pouca higiene que havia era devida à falta de condições, actualmentee é claramente devido à falta de civismo das pessoas.

Totoia acho sinceramente que a próxima geração vai cuidar melhor do ambiente, cenas como as que viste eu nunca assisti, antes pelo contrário tenho presenciado episódios onde crianças "educam" os pais em relação a certos hábitos de protecção da natureza.

Estou a recordar-me, por exemplo, em relação à utilização dos ecopontos! Em muitas das casas que conheço e frequento são as próprias crianças que querem fazer a separação do lixo (claro, com o apoio da mãe) e normalmente tal é feito com muito zelo e disciplina!

Obviamente que estes hábitos também têm/tiveram algum contributo dos progenitores, mas os adultos muitas vezes têm preguiça em reciclar, o que não acontece com as crianças.